quinta-feira, 8 de março de 2018

A REVOLUÇÃO DA EVA - MANA, É A TUA HORA!



INFORME: Eva comeu a costela do Adão num banquete com a serpente, um primor. Ela cansou de levar a culpa pela libido masculina (e a sua própria). Resolveu, numa fenda espaço/temporal, mudar o curso da história.
Durante o banquete, Adão tinha uma maçã na boca.  




    Perdão pela profanação da história santa sobre o homem e a mulher e a aparente violência do canibalismo. Mas sou brasileira e artista, de certa forma filha da antropofagia da década de 20 e não consegui evitar a simbologia - e a ironia. Engolir a costela da qual nascemos, mastigar, amolecer a rigidez da prisão política, espiritual e social na qual estamos. Um tarefa milenar nada fácil! Colocar na boca dele a maçã símbolo do pecado que nos entortou a coluna e o tino!

    O sonho da igualdade de gênero ainda me ronda. Eu acredito que isso é possível, o respeito, a tolerância. Apesar  da aparente liberdade de expressão das redes sociais, elas instauram uma permissão ao ódio, uma violência estranha que sempre se precipita quando falamos de feminismo. Em resposta, o agredido se rebela violentamente contra seu agressor e o ciclo de vinganças não para. 

    Inevitável não pensar no peso das milhares de mulheres violentadas, subjugadas, humilhadas, castradas no mundo... O que carregam no coração? Amor e dor! O que fazemos com tanta dor? Não conheço nenhuma mulher que esteja inteira, intacta. Todas possuem cicatrizes, às vezes impossíveis de ignorar, como cavalos selvagens marcados pelo chicote. Mas já cavalgamos livres e indomáveis e  insistimos em transformar essas dores em mudança no mundo: luta por espaço e respeito. 

    Como falar para aqueles que não querem, não conseguem ou não sabem nos ouvir? O dia da mulher me faz questionar como se luta. O tempo inteiro precisamos lutar para lutar, e cada vez de forma mais efetiva e urgente pois as cabeças das Evas, Medusas, Medeias ainda rolam por aí, aos montes! 

      De acordo com a ONU, 7 em cada 10 mulheres já foram ou serão violentadas física, psicológica ou emocionalmente. E quando lutamos ferozes nas ruas com nossas tetas para fora em sinal de revolta, vira uma grande caça às bruxas e o discurso de igualdade é encoberto com uma capa de misandria. A velha tentativa de nos fazer afogar em nossas próprias ideias: ou é loucura ou extremismo.

       Eu amo os homens, mas odeio o que se tornaram e o que a sociedade repetidamente machista faz com meninos que se tornam homens embrutecidos e castradores, medrosos, com ego ferido e inflado como um balão no céu. Por causa deles não vemos o sol, mas ele brilha forte e uma hora o balão explode ou murcha. 

      E a culpa, queridas... A culpa recai sobre nós, madonas ou medonhas! Eles não se decidem, não sabem como se  portar diante do nosso empoderamento. Resta a nós saber por eles, controlar as rédeas dos lobinhos feridos desorientados que se acostumaram a organizar nossas emoções em estruturas familiares que nos deixem comportadas e doces.  

    Desejo neste dia da mulher sabedoria em nossa luta, o fim de violências e discriminações de qualquer natureza, desejo liberdade sexual, ideológica, sentimental! Desejo FORÇA para que possamos resistir às ignorâncias. E mesmo depois de tanto, ainda ser capaz de sorrir e amar, que a luta não nos deixe amputadas de nossa própria sensibilidade.