ATENÇÃO: Elas estão a solta! Paga-se alto por cabeça ou par de tetas. Traze-las vivas, por favor, afinal a exploração e subjugação são de praxe nesta sociedade.
Sinto que querem minha cabeça e que pagariam muito alto para calar minha boca e vedar meu corpinho em um lugar escuro para que ninguém me veja ou escute. E eu ainda estou, devo dizer, mais ou menos protegida por parcial anonimato. Ainda sou um perigo controlável e de pouco efeito de choque. Fico pensando em como estão as manas, que já provocaram fissuras no sistema machista, patriarcal e branco: Karol com K, MC Carol, Djamila Ribeiro e muitos outros nomes que ficam provocando, em alto estilo, mudanças e questionamentos.
Já era meados do século XX e Adrienne Rich deu a deixa: ´´ As conexões entre as mulheres são as mais temíveis, as mais problemáticas e as forças mais potencialmente transformadoras no planeta´´. A força da revolução feminina não está somente na resistência colossal de quem gesta o mundo, mas na revolta de eras de repressão, violência e objetificação.
Cansamos de ser sexy, ideal, polida, criada para a tradicional família brasileira, sustentáculo dos preconceitos e controladores dos ânimos. Me pediram para ser mais responsável, mais discreta, menos vulgar nos meus videos, na minha arte e na minha vida. Nos pediram para sermos mais equilibradas emocionalmente, para não estressar não é? Nos pediram para fazer menos barulho: pode militar, mas não façam fuzarcas, sim? Feminazi!
Nos pediram isso com o mesmo tom que pedem para uma mulher falar baixo em público, cobrir o busto ou expor o busto, com o mesmo tom de quem diz ´´bem feito quem mandou abrir as pernas`` , me pediram da mesma forma que pedem as mãos dos homens sobre suas esposas, ou as artimanhas psicológicas de ameças quando a mulher expõe desejos e desgostos, com a mesma malícia inocente da manipulação discreta dos esquerdo-machos que diminuem a mulher à sua sombra lhe afanando a cabeça como cachorro doméstico: ´´vejam como é bem tratada e respeitada e livre, tem todo o quintal para brincar!´´. Nós já derrubamos as cercas dos quintais, as paredes das casas. Já levantamos as saias, baixamos as saias, escondemos e mostramos as tetas, trocamos e não trocamos o nosso sexo, bradamos nossa voz à luz das nossas singularidades. Tudo isso por vontade própria, por afirmação da nossa independência.
Somos a geração de mulheres que incomodam, perturbam os conservadores, assombram os direito-machos, torturam os esquerdo-machos, dão pesadelos nas mães que tem medo de engolirmos seus filhos, arrancamos os cabelos dos pais que querem controlar suas meninas, ou dos que nos abandonaram, irritamos os fanáticos religiosos que querem nos colocar a culpa pela renúncia à maternidade, renúncia ao casamento, renúncia à resignação, assustamos os chefes das instituições quando tomamos seu poder, envergonhamos a alta classe brasileira porque somos vulgares, e o somos porque não temos medo, não queremos mais nos esconder.
Cada mulher tem sua pele, sua história, seu coração que bate por uma razão. A vulgaridade que nos atribuem é o orgulho e irreverência que nos é característico, porque escancaramos quem somos, escancaramos nossos defeitos, nossas gorduras, nossos ossos, nossas cicatrizes, nosso sorriso e nossa revolta: tudo está à mostra.
Cada mulher tem sua pele, sua história, seu coração que bate por uma razão. A vulgaridade que nos atribuem é o orgulho e irreverência que nos é característico, porque escancaramos quem somos, escancaramos nossos defeitos, nossas gorduras, nossos ossos, nossas cicatrizes, nosso sorriso e nossa revolta: tudo está à mostra.
Este primeiro texto do blog da GERAÇÃO M, ´´m´´ de mulher e de midia, geração das midias, das comunicações, geração também trans, das transformações. Somos todas geniais em nossa coragem, nossa articulação. Somos todas belas, nada recatadas ou recalcadas. É a liberdade absoluta das mina, dessa geração que não teme e sabe a que veio.
Feminismo não é onda nem é moda e nem está acabando, ao contrário, é um mar inteiro, revolto que vai tomar as ilhas secas de um mundo de uma sociedade machista e patriarcal.

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